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O papel fundamental e o protagonismo das mães de santo nas religiões de matriz africana

Por Redação Arcoverde Agora
10/05/2026 - Atualizado há 8 horas
O papel fundamental e o protagonismo das mães de santo nas religiões de matriz africana

Nas religiões de matrizes africanas, a figura da mãe de santo transcende o conceito biológico, consolidando-se como uma liderança espiritual que exerce funções de acolhimento, orientação e preservação das tradições. Dentro dos terreiros, essas mulheres atuam como verdadeiros pilares de suporte para a comunidade, acompanhando de perto a trajetória dos seus filhos de santo. A data dedicada às mães ganha, neste contexto, uma dimensão de reverência à ancestralidade e ao protagonismo feminino, que é o alicerce de diversas casas de axé pelo país.

A complexa estrutura hierárquica dos terreiros reserva papéis estratégicos para essas mulheres, cujas responsabilidades variam conforme o cargo ocupado. Ao serem chamadas de 'mães', essas lideranças refletem um compromisso com o cuidado contínuo e a educação espiritual de seus seguidores. Para muitas dessas mulheres, como Larissa de Oxum, do terreiro Roça Oxaguiã Oxum Iponda, no Recife, ser mãe de santo é uma forma de canalizar o poder da fertilidade e do amor, ensinamentos frequentemente associados à orixá Oxum, exercendo um papel de resistência e fortalecimento perante as adversidades enfrentadas pelas mulheres na sociedade contemporânea.

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O termo 'Iyá', de origem iorubá, que significa mãe, é o fio condutor dessa organização social e religiosa. Em casas regidas por essa tradição, como no terreiro citado na capital pernambucana, a maioria dos cargos é ocupada por mulheres. Seja como iabassés, responsáveis pelo preparo dos alimentos sagrados aos orixás, ou como iyaegbés, que atuam como conselheiras diretas das ialorixás, a presença feminina é central. A hierarquia, que evolui conforme o tempo e o respeito conquistado na comunidade, coloca as mulheres em posições de autoridade máxima.

O reconhecimento dessa força feminina é corroborado também pelos babalorixás. Júnior de Ajagunã destaca que a presença das mulheres é vital para a existência do 'axé positivo', especialmente devido à forte ligação com as yabás – as orixás femininas como Nanã, Iemanjá e Iansã. Ao honrar essas figuras, os terreiros não apenas mantêm viva uma religião, mas reafirmam a importância do matriarcado como forma de proteção e equilíbrio. Em última análise, a trajetória dessas mulheres dentro das casas de santo é um testemunho de resiliência e dedicação, garantindo que o conhecimento ancestral seja transmitido de geração em geração, mantendo acesa a chama de uma cultura que prioriza o bem-estar coletivo e o respeito mútuo.

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